JBittencourt's Blog

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Curso de Ciências Aeronáuticas e do Espaço em Brasília

by on May.28, 2006, under Formações, Português

Para aqueles que não sabem, durante a semana que passou fui tutor do curso de Ciências Aeronáuticas e do Espaço em Brasília, ministrado pela Profa. Léa e o Prof. Marcus Basso, juntamente com o Prof. Cláudio Ferreti. O curso, destinado a professores da rede municipal do DF, foi promovido pela AEB Escola, como um dos módulos de um programa maior que está sendo desenvolvido.

No curso, trabalhamos Projetos de Aprendizagem com cerca de 45 professores. O diferencial desta vez, foi que pela segunda vez utilizamos o ambiente AMADIS para suportar o trabalho desenvolvido em sala de aula. Foi uma oportunidade ímpar por vários motivos. Em primeiro lugar sempre é um prazer observar a Léa trabalhando. Elá é decididamente um exemplo fantástico de pessoa e de mestre, e em situações como a deste curso vejo como é um privilégio trabalhar com ela.

Depois, é muito legal ver o processo de desenvolvimento dos projetos de aprendizagem. É interessante ver como a resistência inicial de muitos professores vai progressivamente transformando-se em entusiasmo. Durante o curso foram produzidos vários trabalhos muito legais que podem ser observados no AMADIS. E por último, essa foi a primeira vez que tive opotunidade de ver um teste de campo do AMADIS nos últimos anos. Mesmo tendo vindo para Porto Alegre com uma lista enorme de bugs e correções, foi muito entusiasmante a gratificante ver o ambiente sendo utilizado. Ele foi muito bem recebido por vários professores que irão colocar seus próprios alunos a utilizar o ambiente.

Acredito que se mantermos o esforço, o AMADIS tem tudo para se tornar uma grande ferramenta para o apoio ao trabalho por projeto em vários ambientes de ensino (formais ou informais) pelo Brasil.

Fotos do curso

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O que é Intuição?

by on Feb.15, 2006, under Educação, Português, Reflexões

Hoje tivemos nossa segunda reunião do Grupo de estudos do projeto REDIN. Mais do que na semana passada, nesta manhã acredito que a discussão foi muito interessante. O Mario Fontanive apresentou sua dissertação de mestrado entitulada “A mão e o número: Sobre a possibilidade do exercício da intuição nas interfaces tridimensionais”.

O texto que o Mario leu, levantou uma série de questões interessantes. Particularmente, o tópico que mais me interessou tem a ver com a “Intuição”. Já fazem alguns anos que procuro uma resposta para a pergunta “O que é intuição?”. Essa pergunta surgiu quando comecei a dedicar-me ao estudos das interfaces de computador na disciplina de Interação Humano Computador – IHC. Essa área das Ciências da Computação, é extremamente complexa na medida em que inbrica conhecimentos de várias domínios do conhecimento humano. Uma definição formal de IHC pode ser encontrada em HEWETT et al, 2002:

Human-computer interaction is a discipline concerned with the
design, evaluation and implementation of interactive computing
systems for human use and with the study of major phenomena
surrounding them.

Essa definição, apesar de útil é muito ampla. Na prática, é comum ouvirmos que o objetivo de IHC é aumentar a usabilidade dos softwares ou “tornar as interfaces mais intuitivas”. Entretanto, sempre me questionei sobre o que realmente sigfnica esse processo de “intuitivisação” das interfaces. O que diferencia uma interface intuitiva de uma outra não-intuitiva. Nas minha leituras, principalmente do trabalho de Donald Normam, a idéia de intuição parece estar ligada sempre a de uma “apreenção imediata”, a qual não pressupõe uma fase a apropriação da interface por parte do usuário. Para Normam, o computador deveria ser invisível, ou seja, o sujeito não deveria se preocupar em como utilizá-lo, mas sim concentrar-se na tarefa que deseja realizar com ele.

Tal idéia sempre me pareceu estranha, pois parece ser uma compreensão sem a necessidade de aprendizagem. Como se todo e qualquer conhecimento pudesse ser representado no formato de uma ilustração a qual fosse apreendida pela percepção do sujeito imediatamente. Segundo vários autores, como McLuhan e Levy, primeiro forjamos nossas ferramentas e depois elas nos moldam. Em outras palavras, não podemos esperar que o computador seja um objeto invisível para a execução de uma tarefa, pois a própria tarefa que está sendo realizada não faria sentido sem o computador.
Esta passagem de Lino de Macedo fala um pouco sobre isso em um contexto totalmente distinto:

Ora, há uma idéia de que os objetos sociais ou artificiais têm
plasticidade, benevolência ou complacência quase infinitas.
Acreditamos que é possível oferecer um objeto cultural
subordinável ou redutível àquilo que pensamos que a criança é.
[…] A produção de cartilhas chegou a um tal reducionismo, ou
simplificação que, para ensinar famílias silábicas, por exemplo,
autores criaram frases que seriam totalmente absurdas em nossa
realidade. […] Por um lado é exigido da criança que escreva
ortograficamente bem, independente de seu nível. Por outro, é
exigido que os textos didáticos sejam sempre acessíveis à (ou
complacentes com à) criança. (MACEDO, 1994, pág. 66.)

Da mesma forma como aconteceu com as cartilhas, existe uma idéia, ligada a uma epistemologia empirista, de que uma interface possuí umas plasticidade infinita. De que qualquer interface pode ser reformulada de tal forma que se torne mais intuitiva e fácil de utilizar, como se a complexidade de todo e qualquer conhecimento pudesse ser resolvida por meio de uma “apresentação adequada”.

Não quero com essa problematização, dimunuir a importância de criarmos interfaces melhores, mas sim questionar o que é usabilidade e quais são seus limites. Até que ponto podemos tornar uma interface mais compreensível? Onde o objeto interface resiste aos nossos esforços em torná-la transparente e nos obriga a entender a entende-lá não como um produto, mas sim como um processo translucido e não invisível?

Talvez aqui esteja um ponto importante: qual o papel da tupla ação x compreensão dentro da nossa compreensão de usabilidade? Acredito que o conceito de intuição não seja suficiente para representar o problema de melhorar as formas de interação entre o homem e a máquina, mas com certeza faz parte da resposta. Isso nos tráz novamente a questão inicial: o que é intuição?

O trabalho do Mário me mostrou que Bergson tem algumas contribuições interessantes sobre esse assunto. Acredito que nas próximas semanas estaremos construindo no Wiki do REDIN uma discussão interessante sobre o assunto.

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