JBittencourt's Blog

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Laptops e Educação de Qualidade no Brasil

by on Jul.05, 2011, under Educação, featured, OLPC, Português, Reflexões

A mais nova onda em tecnologias para as escolas é a ideia de uma laptop/tablet por criança ou, como usualmente tem se chamado, 1:1 (um pra um). O conceito é relativamente simples: cada criança e professor de uma escola recebe um laptop de baixo custo, o qual mantém consigo todo o tempo, inclusive levando-o para casa.

Essa ideia já esta sendo adotada em alguns países do mundo, como no Uruguai, aonde 100% das crianças do ensino fundamental possuem laptops. No Brasil o projeto ainda esta engatinhando, pois em um país com cerca de 50 milhões de alunos existem pouco menos de 200 mil laptops distribuídos nas escolas, muitas vezes ainda utilizados como laboratórios de informática móveis.

Entretanto, toda vez que se fala de um laptop por criança, a pergunta que a maioria das pessoas faz é porquê. Por que investir tanto dinheiro em uma iniciativa como essa quando existem tantas outras necessidades nas escolas públicas brasileiras?

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Tá na hora da gente fazer diferente!

by on Feb.24, 2011, under Educação, English, OLPC, Português, Reflexões, Tecnologia

It is quite well known that Brazil is going through a great period of economic growth. After 16 years of political stability and successive good governments, it looks like we are finally overcoming some of our big historical challenges and building something new over the ashes of the military dictatorship. Our growth, differently from other developing countries, is happening by making smaller the social gap between poor and rich, meaning that many of the ones whom in the past didn’t have access to anything, now form a growing new middle class.

This scenario is allowing this generation of Brazilians to do something that doesn’t happen very often in the human history: to discuss which country do we want for the future generations and us. Who do we want to become as people?

I say this generation, because it looks like that we have a deadline to do so, and it is the 2016 Olympics Games in Rio. Of course, this is a simplification of a larger historical movement, which won’t stop in 2016 (might not even have started until there). However, the upcoming date puts in our society a sense of urgency. All over the country people are discussing which kind of Olympics Games are we willing to do, how we make it happen, and which legacy do we want to leave to our society after it.

This is the context where TEDx Rio happened last Tuesday, February 15, in a sunny day in Rio de Janeiro. As many people already know, TED is all about “Ideas worth spreading” . Well, TEDx Rio (where the x stands for independently organized) was about that, and much much more.

TEDx RIO

All 18 minutes talks were fantastic, each one in its own way: inspiring, challenging, thoughtful and emotional. They drove the public through mixed feelings and ideas about who brazilians are, as a people, and how we become more!

I’m sure that each person among the 800 attendants has his own list of favorite talks and moments. After all, each person is touched differently by the same words. But in my list, I would include Ricardo Guimarães, Jaílson de Souza, Alex Silva and Oskar Metsa-Vaht. By the event follow up on Twitter, I think my list is very different from most attendants, so it might need some explanation. I think that the people in this list discussed one way or another, who is the Brazilian people, how we are different, and who we can become. Using Mesa-Vaht’s words, our “brazilian soul” and “lifestyle”. In general, all talks orbited these themes, but these ones were “for me” special.

I also must point out that the event organization was, to say the least, perfect! Everything went smooth, on time and extremely organized. However, the adjective that translates the organization of the event and the event itself is light. In the backstage area and among the audience everything was light. Everybody was smiling and happy, getting satisfaction from what they were doing. It was an amazing place just to hang out and find someone to talk with.

I think that the way the event was organized is a perfect representation of the ideas discussed by the speakers. During the event, a group leaded by Rique Nitzsche and Paulo Reis collected words sent by the public through twitter and sms. At the end, a phrase was created using these words, which roughly translated says “It’s time for us to do differently”. Well, I think TEDx Rio has done differently. It was a TED event after all, with all the ideas worth spreading and the professionalism necessary to organize one. But it also had its “x Rio” part, of an event done in our own way, or like Oskar might say, an event embedded in our lifestyle.

Because my work with Prof. David Cavallo, I don’t believe any big cultural shift happens because of a single determinant action. It happens though thousands, maybe millions, of micro-actions which given the proper time and energy, forge new ways of thinking and being. TEDx Rio definitively was one important action that is contributing to this new country that we are living and building.

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Sobre Educação e Paulo Freire

by on Apr.08, 2008, under Português, Reflexões

Em tempos onde na educação a palavra corrente é “pós” (pós-moderno, pós-estruturalista, pós-pós) e onde defender uma teoria dita da modernidade é quase um pecado, falar de Paulo Freire parece no mínimo démodé. Entretanto, em minha viagens recentes devo admitir que me senti um tanto embaraçado por não conhecer sua obra mais a fundo. Ouvi muito mais referências ao trabalho dele do que ao de Foucault ou Deleuze, e como pesquisador brasileiro trabalhando na área de educação, sentia uma lacuna em conhecer o trabalho dele apenas pela obra de terceiros.

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Mágicas do Bash

by on Mar.14, 2008, under Português, Tecnologia

Todo mundo sabe que o Bash é mágico. Eu particularmente lamento o fato de não ter tempo para explorar mais a fundo essa ferramenta. Mas nesta semana me deparei com um problema interessante. Eu estava migrando a instalação do apache do servidor e precisava copiar alguns arquivos de configuração de um diretório para outro. Todos os arquivos estava no formato 999-xxxxxx no diretório sites-enabled. Eu precisava retirar o prefixo de números do nome do arquivo, copiá-lo no diretório sites-available e criar um link simbólico no novo diretório sites-enable, agora novamente com a numeração. Dai resultou esse pequeno script, no qual uso o comando cut pra me salvar.

for i in `ls /opt/csw/apache2/etc/sites-enabled/`;
do
  n=`echo $i | cut -f1 -d"-"`;
  w=`echo $i | cut -f2 -d"-"`;
  ln -s /opt/coolstack/apache2/conf/sites-available/$w \
   /opt/coolstack/apache2/conf/sites-enabled/$n-$w;
done


Viva o bash. Eram quase 90 arquivos e fazer a mão demoraria uma eternidade.

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One Laptop per Child

by on Sep.12, 2006, under Português, Reflexões

Depois de duas semanas investigando a pedido da Léa o projeto One Laptop per Child – OLPC, não consigo conter meu entusiamo. Acredito que ao longo de sua vida, um pesquisador tem poucas oportunidades de se envolver com alguma iniciativa que realmente faça diferença. Penso que esse projeto é uma dessas raras ocasiões, na qual nossas pesquisas podem trazer algum benefício concreto e real para a sociedade em geral e, principalmente, para as crianças.

Gostaria de ter bastante tempo para escrever sobre tudo que aprendi nessas duas semanas, mas realmente não dá. Entretanto, quem deseja aprender mais sobre o projeto, deve ler o documento OLCP Human Interface Guidelines. Acho esse documento interessante, pois ele concretiza vários conceitos abstratos em exemplos tangíveis no design do software. E é exatamente ai que o projeto OLCP diferencia-se do notebook equivalente que a Intel está tentando vender para o governo brasileiro. O OLPC é uma solução pensada para crianças, e mais do que isso, para a educação. E quanto falo em educação, não me refiro para aquele modelo secular de enfiar conteúdo garganta abaixo das crianças. Falo em educar para compartilhar, construir e pensar. Esses conceitos estão muito presentes no design da interface gráfica do sistema. Os pesquisadores do projeto conseguiram pegar o conceito de notebook e levá-lo aonde ninguém  havia levado. Simplesmente Genial!!!

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An Look Inside Google

by on Aug.18, 2006, under Português, Reflexões, Tecnologia

Acho que muita gente deveria dar uma olhada nesse vídeo, principalmente aquele que dirigem as empresas de tecnologia. O trabalho com  tecnologia hoje tem muito mais a ver com criatividade e espírito empreendedor do que com contabilidade. Infelizmente nossas empresas não estão preparadas para isso. Acho que o Google sacou isso, e o ambiente de trabalho deles me lembra em muito o de uma universidade. Valhe a pena conferir.

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Ambientes e Plataformas Virtuais de Aprendizagem

by on Jun.01, 2006, under Português, Reflexões

Ontem estava dando uma organizada no meu HD e re-encontrei meu projeto de dissertação. Fiquei dando uma lida nele (lamentando a ingênuidade de minhas idéias) até que encontrei esse trecho, o qual não inseri na dissertação. Achei bem interessante, e decidi publicar aqui com algumas modificações. Penso que é importante pensarmos sobre a diferenciação que fiz abaixo, pois era algo que sempre ouvia do pessoal do LEC, principalmente da Rosane. Talvez pudessemos adotá-la nos nossos textos sobre o AMADIS a partir de agora.

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Curso de Ciências Aeronáuticas e do Espaço em Brasília

by on May.28, 2006, under Formações, Português

Para aqueles que não sabem, durante a semana que passou fui tutor do curso de Ciências Aeronáuticas e do Espaço em Brasília, ministrado pela Profa. Léa e o Prof. Marcus Basso, juntamente com o Prof. Cláudio Ferreti. O curso, destinado a professores da rede municipal do DF, foi promovido pela AEB Escola, como um dos módulos de um programa maior que está sendo desenvolvido.

No curso, trabalhamos Projetos de Aprendizagem com cerca de 45 professores. O diferencial desta vez, foi que pela segunda vez utilizamos o ambiente AMADIS para suportar o trabalho desenvolvido em sala de aula. Foi uma oportunidade ímpar por vários motivos. Em primeiro lugar sempre é um prazer observar a Léa trabalhando. Elá é decididamente um exemplo fantástico de pessoa e de mestre, e em situações como a deste curso vejo como é um privilégio trabalhar com ela.

Depois, é muito legal ver o processo de desenvolvimento dos projetos de aprendizagem. É interessante ver como a resistência inicial de muitos professores vai progressivamente transformando-se em entusiasmo. Durante o curso foram produzidos vários trabalhos muito legais que podem ser observados no AMADIS. E por último, essa foi a primeira vez que tive opotunidade de ver um teste de campo do AMADIS nos últimos anos. Mesmo tendo vindo para Porto Alegre com uma lista enorme de bugs e correções, foi muito entusiasmante a gratificante ver o ambiente sendo utilizado. Ele foi muito bem recebido por vários professores que irão colocar seus próprios alunos a utilizar o ambiente.

Acredito que se mantermos o esforço, o AMADIS tem tudo para se tornar uma grande ferramenta para o apoio ao trabalho por projeto em vários ambientes de ensino (formais ou informais) pelo Brasil.

Fotos do curso

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Google Web Toolkit

by on May.18, 2006, under Português, Tecnologia

Já faz algum tempo que trabalho com desenvolvimento para Web, entre outras coisas. Durante esse tempo, sempre tive dificuldades em gerenciar o número de tecnologias nescessárias para criar sistemas complexos como o AMADIS. HTML, CSS, JavaScript, DOM, XML, Java, PHP, só para citar os mais comuns. Cada um deles possuí uma série de padrões, referências, estilos de desenvolvimento, ferramentas de programação e documentação. É muito difícil dominar todas essas diferentes tecnologias e mais difícil ainda dividir as especialidades entre diversos desenvolvedores sem compartimentalizar o trabalho em excesso, assim pulverizando o trabalho.

Quando decidimos criar o CMDevel, o objetivo sempre foi registrar todo esse KNOW-HOW que estávamos adquirindo enquanto equipe em uma série de classes que facilitassem o processo de desenvolvimento e a curva de aprendizagem dos novos bolsistas. Assim em um mesmo framework tentamos colocar os problemas mais comuns que encontravámos: persistência, interface e classes básicas para desenvolvimento de aplicativos. O objetivo sempre foi criar uma solução in-house, para facilitar a nossa vida.

Com o tempo, aprendi que os desenvolvedores novatos tendem a resistir a utilizar um framework qualquer, na medida que nunca passaram pelas dificuldades de desenvolver, manter e documentar um software grande. A curva de aprendizagem do framework, parece aos seus olhos, extremamente lenta e desnecessária. O que eles querer é colocar a mão no código logo.

Quando o AJAX apareceu pra valer, a cerca de 1 ano, o desenvolvimento tornou-se ainda mais complexo. Tornando-se quase um pesadelo. Entretanto, as recompensas eram grandes, pois essa tecnologia abriu uma série de novas possibilidades para as interfaces na Web, adicionando muito mais interatividade as documentos HTML estáticos.

Foi pensando em diminuir a complexidade relativa ao desenvolvimento utilizando o AJAX que a Google desenvolveu o Google Web Toolkit. Esse toolkit na realidade são uma série de Widgets e um pré-compilador. Todo o desenvolvimento acontece utilizando a linguagem Java, que depois o pré-compilador separa em páginas HTML estáticas, javascript e código server-side. Assim o toolkit diminui muito o esforço de desenvolvimento para Web, e tem grandes chances de se tornar um padrão nos próximos meses.

Tive ainda pouco tempo para explorar esse nova tecnologia, mas pretendo brincar com ela um pouco nesse sábado. Assim que fizer isso, vou publicar minhas primeiras impressões.

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O que é Intuição?

by on Feb.15, 2006, under Educação, Português, Reflexões

Hoje tivemos nossa segunda reunião do Grupo de estudos do projeto REDIN. Mais do que na semana passada, nesta manhã acredito que a discussão foi muito interessante. O Mario Fontanive apresentou sua dissertação de mestrado entitulada “A mão e o número: Sobre a possibilidade do exercício da intuição nas interfaces tridimensionais”.

O texto que o Mario leu, levantou uma série de questões interessantes. Particularmente, o tópico que mais me interessou tem a ver com a “Intuição”. Já fazem alguns anos que procuro uma resposta para a pergunta “O que é intuição?”. Essa pergunta surgiu quando comecei a dedicar-me ao estudos das interfaces de computador na disciplina de Interação Humano Computador – IHC. Essa área das Ciências da Computação, é extremamente complexa na medida em que inbrica conhecimentos de várias domínios do conhecimento humano. Uma definição formal de IHC pode ser encontrada em HEWETT et al, 2002:

Human-computer interaction is a discipline concerned with the
design, evaluation and implementation of interactive computing
systems for human use and with the study of major phenomena
surrounding them.

Essa definição, apesar de útil é muito ampla. Na prática, é comum ouvirmos que o objetivo de IHC é aumentar a usabilidade dos softwares ou “tornar as interfaces mais intuitivas”. Entretanto, sempre me questionei sobre o que realmente sigfnica esse processo de “intuitivisação” das interfaces. O que diferencia uma interface intuitiva de uma outra não-intuitiva. Nas minha leituras, principalmente do trabalho de Donald Normam, a idéia de intuição parece estar ligada sempre a de uma “apreenção imediata”, a qual não pressupõe uma fase a apropriação da interface por parte do usuário. Para Normam, o computador deveria ser invisível, ou seja, o sujeito não deveria se preocupar em como utilizá-lo, mas sim concentrar-se na tarefa que deseja realizar com ele.

Tal idéia sempre me pareceu estranha, pois parece ser uma compreensão sem a necessidade de aprendizagem. Como se todo e qualquer conhecimento pudesse ser representado no formato de uma ilustração a qual fosse apreendida pela percepção do sujeito imediatamente. Segundo vários autores, como McLuhan e Levy, primeiro forjamos nossas ferramentas e depois elas nos moldam. Em outras palavras, não podemos esperar que o computador seja um objeto invisível para a execução de uma tarefa, pois a própria tarefa que está sendo realizada não faria sentido sem o computador.
Esta passagem de Lino de Macedo fala um pouco sobre isso em um contexto totalmente distinto:

Ora, há uma idéia de que os objetos sociais ou artificiais têm
plasticidade, benevolência ou complacência quase infinitas.
Acreditamos que é possível oferecer um objeto cultural
subordinável ou redutível àquilo que pensamos que a criança é.
[…] A produção de cartilhas chegou a um tal reducionismo, ou
simplificação que, para ensinar famílias silábicas, por exemplo,
autores criaram frases que seriam totalmente absurdas em nossa
realidade. […] Por um lado é exigido da criança que escreva
ortograficamente bem, independente de seu nível. Por outro, é
exigido que os textos didáticos sejam sempre acessíveis à (ou
complacentes com à) criança. (MACEDO, 1994, pág. 66.)

Da mesma forma como aconteceu com as cartilhas, existe uma idéia, ligada a uma epistemologia empirista, de que uma interface possuí umas plasticidade infinita. De que qualquer interface pode ser reformulada de tal forma que se torne mais intuitiva e fácil de utilizar, como se a complexidade de todo e qualquer conhecimento pudesse ser resolvida por meio de uma “apresentação adequada”.

Não quero com essa problematização, dimunuir a importância de criarmos interfaces melhores, mas sim questionar o que é usabilidade e quais são seus limites. Até que ponto podemos tornar uma interface mais compreensível? Onde o objeto interface resiste aos nossos esforços em torná-la transparente e nos obriga a entender a entende-lá não como um produto, mas sim como um processo translucido e não invisível?

Talvez aqui esteja um ponto importante: qual o papel da tupla ação x compreensão dentro da nossa compreensão de usabilidade? Acredito que o conceito de intuição não seja suficiente para representar o problema de melhorar as formas de interação entre o homem e a máquina, mas com certeza faz parte da resposta. Isso nos tráz novamente a questão inicial: o que é intuição?

O trabalho do Mário me mostrou que Bergson tem algumas contribuições interessantes sobre esse assunto. Acredito que nas próximas semanas estaremos construindo no Wiki do REDIN uma discussão interessante sobre o assunto.

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