JBittencourt's Blog

Kevin Lynch e o Google Earth

by on Aug.26, 2006, under Uncategorized

Aproveitei a gripe que me assolou essa semana para tentar colocar parte das minhas leituras em dia. Uma das coisas que li durante esses dias de afastamento foi um texto que a Carine me passou com fragmentos da obra de Kevin Linch. Esse texto caiu na hora certa nas minhas mãos, pois estava lendo a tese de Judith Donath, que se apoia muito nas idéias desse autor.

Lynch é autor de uma obra entitulada The Image of the City, que é resultado de uma pesquisa de cinco anos sobre sobre as pessoas percebem e organizam as inforações espaciais a medida em que elas navegam pelas cidades. Para ele, as pessoas utilizam fortemente as imagens, formando mapas mentais baseados em cinco tipos de elementos: caminhos, limites, bairros, nós e pontos de referência. Ele diz, em certa perspectiva, que o conhecimento que as pessoas possuem sobre a cidade é de uma natureza diferente daquele encontrado em um mapa, por exemplo. As relações o mapa mental tem um aspécto muito mais qualitativo que cartesiano. Até mesmo construir a idéia da totalidade da cidade é difícil

A cada instante a cidade compreende mais do que o olho pode ver, mais do que o ouvido pode escutar – disposições e perspectivas que esperam ser exploradas. Nenhum elemento viveu por sí próprioç revela-se sempre ligado a seu meio ambiente, à seqüência de acontecimentos que o levaram a ele, à lembrança de experiências passsadas.

No mesmo dia que li essa passagem, por coincidência foi usar a versão do Google Earth pra Linux. Fiquei navendo pelo mapa de Porto Alegre, tentando reconhecer o prédio onde moro, o Instituto de Psicologia da UFRGS, onde fica o LEC. Depois montei os caminhos que percorro de carro para ir de um lugar ao outro. Em outras palavras, fiquei brincando com o software.

Fiquei pensando como o uso dessa ferramenta pode alterar as noções de espaço das crianças, e como poderia ser uma ferramenta útil em aulas de geografia. Mas então me ocorreu as dúvida de como ela poderia alterar a percepção que possuímos sobre a nossa própria cidade? Será que ela pode nos dar uma visão mais ampla sobre o nosso espaço urbano? Ela pode nos trazer alguma conciliação entre o mapa carteziano e os espaços de sentidos que atribuímos aos nosso caminhos do dia-a-dia? Não pude deixar de pensar sobre isso. Pessoalmente, os caminhos percorridos pareceram curiosamente estranhos. Algo para refletir.

A Léa depois me comentou que já havia utilizado o Lynch para pesquisar sobre como as crianças compreendem a sua própria cidade. Estou procurando esse trabalho, e quando achar, achou que vou investigar um pouquinho isso. Talvez seja interessante pro trabalho que estamos fazendo na Cooperativa e no Sitecria.

Minha Casa vista no Google Earth, com um pedaço do redenção.

Minha Casa vista no Google Earth, com um pedaço do redenção.


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